sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Censura ou respeito?


“Viva a liberdade!
Abaixo a censura!”
Em geral saímos bradando essas palavras de ordem, protegendo nossos direitos individuais e.. pera lá, e o coletivo? Como combinar tais palavras com “ a sua liberdade chega até o direito do outro”?
Pois é. Um juiz em Macaé deu ordem de recolhimento de todos os exemplares do livro “50 tons de cinza”. Quando eu soube, pensei na hora: Eita! Revival de “Os 7 minutos” ! *
Mas, lendo mais entendi: é um livro que descreve cenas de sexo explícito. Há uma lei que diz que toda publicação adulta, com tais cenas, deve ser vendida em embalagens escuras etc. Então ele mandou recolher os que não estavam lacrados.
E aí , é hora de pensar.
Concordamos que menores de alguma idade ( para alguns 18, pra outros 14) devam ser protegidos de serem atingidos por imagens e informações sobre sexo  sem terem escolhido?  O juiz diz que esse livro exposto numa banca pode levar um jovem, um púbere, a ler na livraria algo que não é recomendado para sua idade.
Acho que devemos pensar a respeito e falar sobre isso.
Há editoras, inclusive, que para fazer propaganda de seus livros, expõe imagens , ilustrações, de livros não recomendado para menores em seus sites.
É certo? É bom? É isso o que queremos? É toda e qualquer liberdade?
Hoje, seis da tarde, ligo a TV paga. Estou vendo uma comédia antiga com Mel Gibson. A classificação é “programa para jovens e adultos”. Pois bem, aí, no intervalo, surge a propaganda do programa de sexo da mesma emissora, o programa para adultos que contém dispositivo de auto censura.  E também uma  propaganda de um filme de Angelina Jolie exatamente o trecho em que faz sexo , digamos, ardente, com o protagonista. Seis da tarde...
Mudo o canal e vejo a cena de Pretty Baby, um filme antigo com Brooke Shields aos 12 anos . ( o tema é o leilão de sua virgindade) onde a menina é apalpada e Susan Sarandon passa saliva no bico dos seios. Seis da Tarde..
E aí você vai ver o campeonato brasileiro! Vai torcer pelo seu time. No intervalo do jogo a propaganda do programa PAGO full fight com um cara socando a cara do outro e esmagando a cara do outro no chão com sangue espirrando pra todo lado. Seis da tarde.. e você na sala com o seu filho de 6 anos vendo isso.. o pesadelo virá, certamente.
E continuo a zapear.. soco, tiro, sangue, bunda, ah, e Alvin e os esquilos 3.
Caramba, a gente lutou tanto por fim da censura, por liberdade pra isso? Ou Alvim e os esquilos ou  Susan Sarandon nua?    
Crise de criatividade? Regressão? Arte não é, nem vem que não tem. É grana, é venda, é porque é fácil. 
Aí , com muito discernimento, cria-se uma legislação de proteção  à produção nacional. Mas a gente não produz tanto assim, e começamos  a pegar e pagar direitos de programas estrangeiros e nós não nascemos para fazer reality show, pelo menos ainda não. Não se parece nem um pouco com reality.  E tudo isso é pago. E  mesmo quando não o é , é uma concessão. Eu não posso ter uma emissora de TV mesmo que tivesse grana pra tal, nem de radio, nada. Então porque quem pode, quem está usando o MEU espaço, pois é uma concessão, pode burlar a lei? O pai pode censurar a programação para o filho mas não pode censurar os comerciais.
E no humor? Pode tudo? E por ser “brincadeira” estamos desculpados de sermos politicamente incorretos e assim colaborarmos para fixação de preconceitos?
Estou descrevendo o que acontece.
Acho que é um assunto que deva ser debatido. Sempre. Mesmo que nunca cheguemos a um consenso. Mas sempre avancemos para uma sociedade que respeite o próximo.