quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estou emburrecendo comercialmente



Antes de mais nada quero me desculpar, apresentar atenuantes, pois nem sempre fui assim. Ao contrário. Quando criança era apresentada como geninho e meus desenhos e opiniões analisados por psicólogos, ou melhor, modernizando, especialistas.
Testes de QI aplicados e o veredito era de gênio.
E acho que não modifiquei muito até ter filhos. Aí já viu, ninguém sobrevive ‘a achar engraçadinho a família Barbapapa. E falar no diminutivo. Mas é normal e até mesmo um sinal de inteligência! Vejam, Morais Moreira, um homem, fez uma canção onde coloca a expressão “ bubulilindo”  brrr..... Mas, o processo de imbecilização é necessário, caso contrário ninguém agüenta a maternidade.

Mas, infelizmente, no meu caso, acho que não recuperei a talvez inteligência. Comecei a perder os números, a usar calculadora quando necessário, cada vez menos necessário, e acho que atrofiei boa parte do cérebro. Pelo menos é que os comerciais da TV me apontam.

Vejam, eu imagino que comerciais sejam feitos para a venda do produto ou fixação de marca ou apenas para manter o consumo em geral, certo? Explicando rapidinho: a coca-cola não precisa de comerciais, a não ser de grande porte, cartazes espalhados pela cidade. Ela sabe que há um limite , afinal, quantas coca-colas você pode beber em um dia? E quantos sabonetes você pode comprar? Há um limite. Ninguém diz, oba! liquidação de sabonete! vou comprar 200 sabonetes lux e dar de presente! Ninguém usa 200 sabonetes. Então, rola uma oferta que a gente compra e usa o ano todo.
Mas os comerciais existem para estimular o consumo de qualquer coisa. E a roda girar.

Bem, para isso ter razão de ser, pagam os criadores, e pagam bem. Uma equipe de criadores de marketing, propaganda, de arte, do caramba a quatro inventa um comercial que tem que ser aprovado por um monte de gente. E nessa aprovação cada um mete o pitaco, mas o resultado final tem que ser adaptável ao consumidor, e, hoje em dia, ao consumidor do mundo inteiro. Não dá pra particularizar, fica mais difícil.

Deviam, então, ao meu ver, pelo menos fazer sentido. Mas alguns, não fazem! Pelo menos para mim, logo, concluo que a burra sou eu. Vejamos:


- Tanto o Banco do Brasil quanto o Bradesco dizem PRESENÇA. Não sei o que não sei o que lá, Presença..   E daí? Inventaram um conceito pra banco? E ambos reivindicam a tal da Presença como exclusividade, outra palavra adorada pelos criadores de comerciais... Mas eu estou emburrecendo.


- A mocinha bonitinha está acampando. A outra mocinha bonitinha elogia as pernas da outra que não tem pelos, pois ela se depila com Veet. Aí rola uma festa.. só mulher... nem um homenzinho sequer.. só mulher.. Será que desde o início era um lance gay? Será que querem dizer para as mulheres gay se depilarem? Não entendo, nem mesmo porque a bonitinha dançatão mal. Mas, eu estou emburrecendo.


- Esta é a sua escova de dentes- diz o cara me mostrando uma escova na tela inteira queNão é minha.  Mas, ok, deixo de ser chata e concordo, ta certo.. essa é a minha escova de dentes... Daqui a 3 meses troque por Oral B a única que é protegida por 90 dias.. Buáa!! socorro! não entendi. Então se eu tenho de trocar a minha daqui a três meses, (90 dias, certo, ou mudou?) é porque a minha também é legal, ou até mais legal, pois eles falam para eu trocar só daqui a três meses, nem sabem a quanto tempo eu a uso.. Mas eu estou emburrecendo. 


- Colgate.. ah.. colgate.. além da Doutora Chevalier que passa a língua nos dentes de um jeito que não consigo fazer sem arreganhar a boca -que se é doutora também é atriz pois ela aparece em outro comercial como mãe ( para fazer comercial tem que ter diploma de ator) -agora dizem que é a marca mais recomendada por dentistas do Brasil, da américa latina E do mundo. Como assim? Mudou e não me avisaram? O Brasil não faz parte mais do mundo ? Idem a respeito da américa latina? ah. mas eu estou emburrecendo.


- Ainda pasta de dentes: filho que lindo está o seu consultorio -diz a mãe enxerida e nhac! morde uma maçã. Confesso que nesses 58 anos de idade já fui a vários dentistas e nenhum tinha maçã no consultório, NENHUM! mas deve ser moda pois uma filha visita o pai e também come maçã. Bem, aí sai sangue do dente da mãe..mas na parte errada da maçã. Me dá nervoso. E a tal filha que foi visitar o pai, descobre que pode estar com gengivite e vai pra casa escovar os dentes? Que dentista é esse que não tem escovas de dentes de brinde? Bem, mas eu estou emburrecendo.

- Esse é de um carro.. rola um almoço, e parece que está rolando um clima entre dois da mesa.. aí o assunto é esse: Como é que você se vê daqui a 5 anos? O rapaz se imagina dirigindo um determinado carro com a moça ao lado. Mas não responde nada, devolve a pergunta,- e você? ela se imagina sentada no banco de trás do mesmocarro com o rapaz como motorista na frente.
Aí vem o slogan do carro dizendo coisas admiráveis sobre Quem dirige o tal carro. Minha conclusão é que a zinha , então, não presta, certo?Afinal quem dirige o carro é o carinha. E também que o tal carro é caríssimo pois os jovens que sonham com ele estão de terno, são trabalhadores, não estão num restaurante a quilo, mas só daqui a 5 anos vão poder comprar o raio do carro, certo? Mas, que sei eu. Estou emburrecendo.
- Finalmente o,, ah! perfume! Que eu não os entendo não é novidade. Agora tem um de um rapaz magro como um palito que fica estalando os dedos.. muito estranho. Bem, mas até que tem um legal! o casal deve ter acabado de transar, ele dá um tchau pra ela, se veste e vai embora e ela cheira o travesseiro. Quem não fez isso? Delícia, né? então. esse foi legal. Mas o que eu não entendo é um de novas fragancias. Surgem 6 modelos famosos, quer dizer, imagino que sejam pois se eu reconheço a Claudia Shiffer e a Naome campbell, é por que devem ser famosos. Estão de roupão, vão até um canto, de costas ainda, tiram a parte de cima do roupão e olham para a câmera . aí aparecem os frascos de perfume. 5. Só CINCO! e são 6 modelos. Buáaa!! não entendo. Quero minha mãe!!!

Hum.. acho que agora eu sei porque ninguém gosta de assistir Tv comigo...

Angela e ratos

Eu  devia ter apenas 3 anos quando vi um pela primeira vez. O rato tinha caído no laguinho do meu prédio, o porteiro o pegou, deixou-o na beirada, e eu achei que ele era lindo, pois esfregou as “mãos” dianteiras, e depois as passou no “rosto”, secando-o.  
Mas logo conheci o Jerry, nas matinês do cinema Metro. O primo dele era gordinho, pequeno e cinza, mas eu não gostava do Jerry, nenhuma simpatia. E pelo Mickey, menos ainda! A voz do Mickey  sempre me irritou. 
Mas, como a Baratinha, me encantei com o João Ratão que Braguinha nos presenteou. Tinha pena dele e achava sua voz linda. Exatamente como a Baratinha. E os três ratinhos cegos? e o rato do campo e o rato da cidade?
Já como ser pensante, sonhava em ser a Flautista de Hamelin, expulsar todos da cidade!
Mas o Rato roeu a roupa do Rui, e fui vivendo longe deles. Achava estranho que minha heroína Jô March (as mulherzinhas) tinha um rato de estimação. 
Claro que os filhos me trouxeram o Dumdum bolinha, um hamster esperto que perturbava meu sono em sua rodinha e meu dia com suas escapadas. Conseguia abrir a gaiola, roer o tapetinho do banheiro, fugir pela casa e ser encontrado em cantos jamais sonhados , e quando isso acontecia, olhava para mim com cara inocente roendo o que quer que estivesse no canto. E já era  o headphone. Não lembro que fim levou o hamster ...

Dos ratos, só notícias terríveis. Uma contava que um desses ser abomináveis, causadores de pragas avassaladoras, chegara ao décimo andar para comer as batatas que estavam na testa de uma mulher com dor de cabeça. Minha amiga também moradora de Copa, em uma das últimas casas do bairro, foi mordida por um, tomando vacinas contra tétano e outros males. 

Enfim, via-os pelas ruas e praias, sempre me imaginando como a serviçal da casa de Tom em cima do banco com Jerry o balançando. 

Mas surge o rato filósofo que cria as tartarugas Ninja, e mãe é mãe, não basta ser mãe, tem que aturá-los. Depois Pink e Cérebro e os ratinhos de Miss Potter.. esses escritores infantis...

E agora, no alto dos óculos, meus cães os caçam. Mas são ratos do campo, lugar sem esgoto, ratos naturebas. Mesmo assim, que aflição! mesmo os pequenos camundongos, argh! 
E no mato é assim, a gente mexe num lado, bole com outro. Ao derrubarmos os velhos galpões, trocarmos os eucaliptos, a fauna se comove, e surgiram ratinhos em uma das casas. Lá vou eu de vassoura em punho, AAAAAAAAAA! três deles! mínimos, pois a mãe já tinha sido exterminada por uma ratoeira. 
E o medo? 

Aí, vem a miúda de três anos, munida de um mata-mosca, e FIM.
Na maior. 
Sapecou o rato sem problema algum. 

Será que Freud explica mesmo?

Será que Freud explica?

Passei a manhã procurando um tubo de cola que meu amigo que mora lá no outro hemisfério me trouxe de presente. Uma engenhosa caneta da qual, em vez de tinta, sai uma fantástica cola que gruda realmente e não borra e, pasme! não enruga o papel. 

Não encontrei. Onde é que a meti? mas, em compensação, encontrei o produto exterminador de formigas, dessa vez em forma de injeção, do qual sai uma gominha amarela apetitosa para as formigas, e as tontas vão lambendo aquilo, como diz o meu caseiro, e gulosas, levam tudo no lombo em direção ao formigueiro onde lá, como um terrorista suicida, matam a inteira sociedade. 

Isso me cansa um pouco. Perco muito tempo procurando coisas. óculos, cola, caneta, documentos vivem se escondendo de mim. E eu, que já estabeleci várias vezes o método “ vou colocar aqui pra não esquecer” me vejo pulando pela casa gritando por São Longuinho, pensando na cor azul  e lembrando da máxima de minha avó” só se encontra arrumando”.

Recentemente algo realmente inusitado me aconteceu. Deixei na casa de minha amiga em São Paulo algumas coisas. Não sou disso. Lembro de trazer de volta tudo em viagem, checo várias vezes, refaço caminhos. Mas dessa vez esqueci. Velhice? Pode ser. Uma delas foi um lenço de seda que tenho desde os 15 anos de idade. Sério. E era da minha mãe, então, provavelmente é mais velho. Minha amiga já despachou o lenço e ele voltou pra mim.  É uma dessas coisas que não se perdem. Dessa vez ele quase se foi. Deve haver algum sentido simbólico que me escapa. 

Durante anos eu tive comigo uma rodinha, meio almofada, de limpar discos. De propaganda talvez. Cor vinho, em cima o selo “Columbia” . Ela estava na eletrola da infância. Mudou-se para a vitrolinha plástica da adolescência, passou a pertencer ao som gradiente da maturidade. Até que chegaram os filhos, com eles os hamsters e ela virou um bom aperitivo para o”Dum dum bolinha”(  meu filho seria um Adão muito divertido dando nomes aos animais)
Como os CDs substituíram os vinis, lá se foi a rodinha para o lixo, com um funeral adequado. 

Desapareciam dólares, cordões, canetas menos a rodinha de limpar discos. 
Meus filhos perdem óculos e celulares com alguma freqüência. Há quem perca sempre tudo. Um dos meus sobrinhos foi colocar gasolina no Canadá, deixou a mochila em cima do carro pra pagar, deixou a mochila pra trás com passaporte, e tudo o mais. Há, também, lugares engolidores, como uma poltrona da infância. Minha pequena mão conseguia meter-se entre o assento e o encosto e de lá tirar tesouros! Lembro especialmente de uma ventarola com olhos que morava no interior da poltrona. E o pianinho de brinquedo que trazia dentro dele outro banquinho! que surpresa foi aquela! Forros de casaco são mestres em esconder coisas. E como é bom quando a gente encontra dinheiro em algum bolso!

Talvez seja por isso que as coisas se escondam. Pra que a gente se surpreenda ao encontrá-las. Além de divertir a família pagando mico ao pular para São Longuinho, claro. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Três filmes



Vi os três na TV.
Agora, tenho tido a tendência de gostar de filmes sobre velhos, sobre a vida dos idosos, assim, dei de cara com o filme LONGE DELA. Julie Christie.. sim, Julie Christie é velha! Julie é uma senhora com alzheimer e pede para o marido saudável interná-la em um asilo. 
Ele a ama.. 
ele não quer..
ela quer..
ela vai. 
Como ele tinha sido um marido que pulava cerca no início do casamento, chegou a achar que a mulher não estava doente, era fingimento para puni-lo, veja só. 

Mas claro que não era, e, no asilo, Julie começa a se interessar por um belo coroa doente como ela. 
O marido tem ciúmes.. e o marido deve entender a situação e saber aceitar e é tudo muito humano, sensível, bonito.

Fiquei com inveja do asilo. Deve ser caríssimo...

Depois assisti a Panic. O ótimo ator william Macy é filho de Donald Sutherland... sim, esse mesmo! o simpático médico de Mash! é.. o tempo passa.  Mas ó! ele é um matador profissional treinado pelo pai em um negócio organizado pela mãe! que família legal, hein?
Ele não quer continuar a ser assassino, tem um filhinho pequeno, uma mulher legal às pampas, a ótima Tracy Ulman, e tem uma paixão pela jovem Neve Campbell.  E é correspondido, veja só.

E seu pai e chefe o manda matar o analista.. aí o embroglio é total, e a gente vai entendendo que aparência sã os maus e loucos tem.. 

Não pode acabar bem, né? mas há esperança pelo menos pro filhinho dele que devia ganhar um oscar todo dia..

E ontem.. ah.. ontem nada teve de ficção, foi Miral.
Palestina, Israel... Jerusalém, faixa de Gasa.. 
História real. Uma senhora palestina , um dos rostos mais bonitos do cinema ao meu ver Hiam Abbass,  ótima atriz (depois que fez a Nossa Senhora no filme do Mel Gibson , Nossa Senhora abandonou seu rosto oval e olhos claros para ter o rosto de Hiam)  dedicou sua fortuna e sua vida para acolher os órfãos.  Um colégio para as crianças.. e nele, a jovem Miral , filha de um estupro , foi educada e virou militante, como a tia tinha sido. 
A princípio achei o filme chato, pois achei que era "arte pura" aquele tipo de filmagem pretensiosa, mas não.  A filmagem do início era para incomodar mesmo. Para ser ruim, pra gente fechar os olhos não por estar vendo algo horrível mas por estar sentindo. Depois que a gente vê a imbecilidade humana, aí a camera sossega . E tudo se modifica.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Cidade sem plateia




A coisa é a seguinte. Quase todo mundo que conheço é artista de alguma forma. Ou pinta, ou canta, ou escreve,ou faz teatro, filme  ou compõe. Somos todos artistas. E, graças a deus , a internet permitiu ampliar mais ainda o campo dos artistas, ficou mais barato. Dá pra escrever sem pagar um revisor, dá pra publicar por unidade, dá para desenhar sem comprar tintas importadas e ter ótimos resultados com vários plug ins, dá pra gravar em casa suas canções e consertar os desafinos, enfim: quem não era artista , virou!

Ora, que o ser humano é talentoso, todo mundo sabe. Não há um monge que não cante no Mosteiro de São Bento como não há uma freira que não pinte lindos miosótis em papel vegetal. E, se recuarmos um pouco na história, veremos que as casas brasileiras no Império , todas tinham piano.
Só pra pincelar a minha moderna família, de um lado minha avó cantava óperas, pintava, costurava, bordava, tocava piano. De outro, a outra avó, tocava piano e bandolim. Meu pai tocava gaita além de desenhar magnificamente bem, minha mãe pintava telas. E ninguém era artista. Ninguém se considerava artista. Era normal. Ah, claro, TODOS faziam versos. Todos. Até um tio malandro, antes de morrer me declamou seus versos, bem bonzinhos, que fez para uma amada.

Então, uma coisa que devia ser excelente que é a possiblidade de se expressar e ser lido, visto, nem que seja por 10 pessoas fora do seu ciclo familiar, virou um saco. Pois a maioria confunde a possibilidade de expressão com a capacidade de expressão. A partir daí, começamos a receber convites para shows, vernissages, lançamentos de livros e discos. E, apesar de artistas, ainda sabemos somar e diminuir, é só fazer as contas para verificar que ninguém, principalmente quem é artista, tem dinheiro pra comprar tanto livro e cd e show e quadro. Não dá. Pode somar aí, que só se tenha 10 amigos. Digamos um produto cultural por pessoa. 10 CDs a 20 reais, lá se foram duzentinhos, e mais o show, mais duzentinhos, e mais o transporte, o que se come, mais quinhentinhos.
E como todos somos artistas, só conhecemos artistas. Se comprarmos todos os livros lançados, não teremos grana para o Saramago, que, convenhamos, é de muito melhor qualidade do que a literatura produzida por nós.

Além desse déficit da bolsa, ou do bolso, o que era um lance afetivo, bacana, fica um saco. Somos bombardeados por mensagens de propaganda, tanto dos eventos quanto apenas para manter acesa a chama e , pior, saímos da categoria de amigos para entrarmos na categoria de público, platéia.

Claro que não foi apenas a facilidade de produção do objeto cultural que modificou o eixo. Foi também nossa culpa afetiva que diz que tudo o que  a gente lê é lindo e inteligente e o incauto acredita e se lança.

Mas vai passar.
Enquanto isso, pra quem quer ver seus livros impressos, em unidades, e , quem sabe, alguém comprar, um site ótimo faz isso pra você: http://clubedeautores.com.br. Eu já estou lá com Amor Coisa pra Gente grande! 
E me aguardem! muitos mais estão por vir! Mas até eu tenho de fazer conta pra comprar meus próprios livros.
Rá rá!

(o título Cidade sem Plateia  foi devidamente surrupiado de uma canção de Alexandre Lemos)


(outro p.s. Na época que escrevi isso ainda não havia esse jeito de arrecadar dinheiro para a compra antecipada do show, o que é um troço muito legal, você paga para a ajudar a figura a gravar seu cd. Se ela não arrecadar a grana que pede, ela devolve. Mas, no momento, já tenho 5 pedidos!!!)

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Tempo de amoras

A partir de hoje minhas manhãs tem novo dono: as amoras!
Colho com a alegria infantil de exímia catadora de conchas em Copacabana e ávida antecipo os sabores: sorvetes, geléias, sucos.. De hoje em diante as amoras participarão da minha mesa! frango com amoras, saladas.. 
Preparem-se, pois elas irão perseguir os paladares da terra do sempre!
Ah! é como é generosa a amoreira! Como um Natal em setembro ela se enfeita. 
É a única das árvores inteligente. Permite um acordo entre mim e os pássaros: para mim, apenas os galhos baixos! Abelhas e formigas também tem vez, a amoreira é comunista! Rubra!
Aliás, que Deus me proteja e ninguém seja assassinado enquanto colho amoras,pois,certamente eu serei a primeira suspeita. Elas me dão sua doçura e sangue, colho com as mãos sem luvas e encho minha boca gulosa com as mais suculentas e gordas.
A amoreira tira a forra, salpica a blusa da copacabanense como quem diz: isso é lá roupa de colher amora?
Enquanto isso o beija-flor se desespera: quem é essa intrusa com dois cães aos seus pés que invade meu território? seu barulho helicoptero de asas faz música protetora do ninho. 
A amora me dá o doce e eu lhe dou palavras.
É o que tenho pra dar.
O balde vai pesando na altura do cotovelo, seguro-o como bolsa e , se as mãos assemelham-se a criminosas, os braços arroxeiam imitando pancadas. Lingua roxa como o grapete da infancia. 
O vento debulhou muitas amoras na véspera,e o chão se cobre colorindo as botas brancas e as patas dos cães.
As amoras são didáticas. Oferecem seus frutos perfumados e quentes se ao sol. Retirar do galho, meter boca e apertá-lo com a língua contra o céu da boca deixando escorrer a doçura é também rezar. 
Se oferecem alguma resistência, mesmo estando negros macios e brilhantes, é sinal que ainda há um pouco de acidez. Deixe para amanhã! Mas se cairem facilmente em suas mãos, manchando-as, aí é presente.
Eu, que achava amoras eram coisas de chiclete e gelatina, nem mesmo acreditava que existiam, agora sei que a brincadeira " você gosta de amora? vou contar para seu pai que você namora" é real!
amora , o nome já diz: amor, namoro, moradia, ora!
Com o balde cheio, adentro a cozinha bem-disposta. 
Congelo um bocado, outro bocado vai para a panela virar geleia, quer dizer, algo semelhante, pois não entendo de pontos nem de pectinas e o açúcar é pouco. Vira uma polpada deliciosa,pronta para queijos e molhos e biscoitos e bolos  e tortas mas que minha "nora adora a hora da amora!"
A casa fica rica do anagrama aroma!
E, gente! amanhã tem mais!! 

Integração já


Uma coisa que me irrita um pouco é a mania que nós , brasileiros,temos de falar mal do nosso país como se só nós tivéssemos problemas. (talvez seja uma característica da humanidade e  não só dos brasileiros)
Gosto de assistir aos jornais dos canais estrangeiros. Um dia desses, assistindo ao jornal do canal espanhol vi as seguintes matérias, num único dia!
- um bairro de Sevilha foi totalmente inundado por chuvas que duraram 20 minutos enchendo as ruas de lama, perda total dos carros, todos os mantimentos, supermercado,
tudo, cheio de lama. O bairro inteiro foi atingido. A lama dentro das casas chegavam a um metro. Vi as águas da enxurrada saindo pelas janelas do segundo andar de algumas casas!
- uma construtora de um condomínio chiquérrimo na beira do mar nunca deu a escritura definitiva para os compradores e nunca terminou as obras do prédio. Os moradores que compraram unidades  em 2003 até hoje não viram os banheiros prontos , a piscina terminada. E estão sendo ameaçados de despejo. (peguei a matéria no meio, acho que também há um problema por ser numa região da prática de nudismo)
- uma matéria sobre um supermercado ( e nos bairros mais simples a aparencia do supermercado é de muito mais simplicidade do que os da minha cidade! é um depósito com estantes
de aço e poucos produtos expostos) que consegue oferecer produtos mais baratos. Como as pessoas não estão conseguindo viver com suas aposentadorias, está fazendo sucesso.
O dono do supermercado disse que ele trata direto com fábricas e produtores. então consegue redução do preço até em 70%
- um touro subiu arquibancada acima na tourada ferindo 6 pessoas.
- na França, os pedestres estão proibidos de atravessarem uma rua , mesmo que não tenhacarro algum, se o sinal não estiver verde. Mesmo na faixa. Uma guarda multa na hora em200 euros.

Nós temos nossos problemas, mas quando leio que os turistas não querem ir ao Rio com medo, aviso que também ando com medo de ir para os Eua e me confundirem com um terrorista; de tentar entrar na Espanha e ser impedida; de sofrer um terremoto no Chile
E só estou mencionando a parte menos perigosa do mundo...

Sim, temos problemas. O que aconteceu com a invasão do hotel deve ser encarado de frente e a solução é acabar com adivisão entre asfalto e favela. O que chamamos de favela deve ser chamado de BAIRRO. O bairro da Rocinha, o bairro do Vidigal. E ser tratado como tal.  Ninguém questiona a população da Toneleros em comparação com a Av Atlantica,por exemplo. Toneleros faz parte de Copacabana. Integração já.  A separação faz mal. Bairros populares são erros históricos. O que N. Y.. está fazendo é que é o correto e justo: a lei obriga que todos os prédios ofereçam habitação de vários niveis para vários poderes aquisitivos. Nada mais de um prédio cheio de cubículos lá no raio que parta e outro de apartamentos cinematográficos pertinho do parque. Quer construir um prédio chique em Manhatan? então, meu amigo, tem ue ter um terço do prédio cheio de pequenos apartamentos, sim senhor. Conjugados sim. Vai aprender  a conviver e  ter como igual a garçonete que te atende pois ela vai ser sua vizinha sim. Porque só quem tem grana pode morar perto do trabalho?
Integração. É a solução para parte dos problemas. E justiça.

domingo, 9 de setembro de 2012

Censo sem senso


Uma vez o professor de história do colégio pirou. Achou que  a gente estava colando e mudou o jeito da prova. Fez fila A e fila B, pegou o livro (que ninguém tinha) e saiu inventando perguntas na hora. Ninguém sabia nada, claro. Acabada  a lista de perguntas,
Bia levantou-se e entregou a prova em branco. E o professor Proença disse:
- Não pode entregar em branco.
Olhamos um para  o outro e riimos. Então, inventamos as respostas. Meu colega ao lado, Sérgio ,escrevia um poema sobre o antigo Egito. Lembro de minhas respostas:
- O que o crocodilo representava para os antigos egípcios?
R. Uma grande crocodilagem.
- Quem foi Rebeca?
 R. Foi não, professor! É. Minha vizinha
E por aí seguia. Eu e todos. Ao entregar minha prova e sair, vi na prova de Marcelo um crocodilo desenhado.
Éramos jovens e criativos. Tudo diversão.

Hoje veio uma mocinha aqui no sítio me contabilizar.
De cara me pergunta quantos banheiros eu tinha em casa. 
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi perguntar se ela estava apertada.
Contive-me.
Respondi.
E, como eu sou sortuda, o meu questionário era o pequeno.
Queria saber a minha idade , eu não ligo de responder, mas sei que, se fosse a minha mãe a resposta seria: eu não digo a minha idade nem pro confessor!
A mocinha , tadinha, 21 anos e já casada, cumpria sua tarefa de boi acompanhada da sua simpática mãe. 
Quanto ganha? perguntou. Como meu salário é pago pelo governo, eu disse. 

O  nome das pessoas..
Porque querem saber o nome? Querem saber quantas Suelens nasceram depois de "Dallas" pra quê?

Perguntei  a ela se eu podia não responder
Ela me disse que eu era obrigada a responder. E me mostrou a lei. Se eu não responder pago a multa de DEZ salários!!!!!!

Liguei para um amigo advogado, ele nunca tinha pensado em não responder... iria ver. Preocupante.

No meu caso, não há porque mentir, ja´que sou funcionária do governo e eles já tem meus dados.
Mas,já imaginou quem não é? Nosso censo virará a minha prova de história da adolescência!

O papel que ela me mostrou afirma que as informações que eu der só serão utilizadas para fins  estatísticos. SÓ!! como se fosse pouco.
A mocinha estava assustada comigo, mesmo eu tendo elogiado seu anel e seu cabelo.
(talvez por causa disso) 
Ainda ninguém tinha se recusado a responder ou questionado a legitimidade do censo.
- Menina, eu disse, Jesus nasceu no meio de estrume de vaca por causa do censo! 
Seus olhos arregalaram.
- Mas não são informações íntimas...
- São. O número de banheiros da  minha casa é de foro íntimo. Entendo que seja interessante para um país conhecer seus habitantes mas daí a me OBRIGAR a responder sob pena de multa, é aviltante! No censo passado havia espaço para escrever: recusou-se a responder. Agora, com essa 
maquininha ganhando da caneta,se você não responde a máquina se recusa a prosseguir.
Hoje, menina, perguntam-me quantos banheiros eu tenho. Amanhã vão me perguntar quantas vezes eu vou ao banheiro por dia! Já imaginou o que a indústria farmaceutica pode lucrar
com essa informação? Informação é poder, menina.
Ela olhou-me triste: mas a gente não pode fazer nada.. tem mais deles do que de nós..
- Não! falei inflamada. Somos em maior número! eles tem mais poder, mais grana. E se tiverem mais informações terão  mais ainda. Precisamos ter o direito de não responder!

A mãe dela disse com um brilho no olhar:
-Meu marido também acha um absurdo..
A garota, começando a se libertar da cartilha disse: mas a culpa não é  minha..
- E eu fico feliz que você tenha arrumado um dinheiro extra, mas não pare de pensar , de refletir.  É minha obrigação como mais velha e professora te dar outros pareceres,
aconselhar e ensinar, assim como a de sua mãe. 


Acho que o pai da menina vai receber um jantar melhor esta noite e um carinho mais caprichado. 

Ela segurou as lágrimas, eu não ( discurso da Presidenta Dilma)

Senhora Presidenta: é com imensa satifação que repasso o seu primeiro discurso como Presidenta eleita. Conte comigo para ajudá-la em cada um desses passos. 
Saudações! E viva a primeira mulher presidenta do país!
(os grifos são meus)


PRONUNCIAMENTO DE 31 DE OUTUBRO DE 2010

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,

É imensa a minha alegria de estar aqui.

Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais
importante de minha vida.

Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço
democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o
Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a
eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje
inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir
e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades
representativas de toda nossa sociedade.

A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio
essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas
olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!

Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher
na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da
decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da
cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:

Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de
opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do
emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.

Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.

Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.

Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos
tão claramente consagrados em nossa constituição.

Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da
República.

Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as
nossas regiões.

O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de
agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela
construir um mundo melhor para sua família.

É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso
povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a
erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os
brasileiros e brasileiras.

Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela
vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às
igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos
governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.

Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.

A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que
assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam
ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa
de ser uma nação desenvolvida.

O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente
que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.

Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de
uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual
uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um
sonho que sempre pareceu impossível.

Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso
desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela
genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos
empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em
que a economia das grandes nações se encontra abalada.

No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias
desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam
ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio
mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.

Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo.
Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das
relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que
impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.

Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num
mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes
proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem
sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.

É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e
mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento,
limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a
volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos
fóruns internacionais com este objetivo.

Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo
brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para
eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos
gastem acima do que seja sustentável.

Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do
gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela
qualificação dos serviços públicos.

Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas
sociais, os serviços essenciais à população e os necessários
investimentos.

Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas,
social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela
poupança pública.

Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do
serviço público.

Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a
capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.

Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões
de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do
Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento
econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor
elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.

As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com
determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da
saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.

Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental.
Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos
sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas
dificuldades.

Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade
da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das
conquistas estabelecidas.

Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com
pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela
aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar
muitos de nossos objetivos sociais.

Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas
as dívidas e a desesperança.

O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as
atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo
modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à
Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.

Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo
só migalhas.

Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos
Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.

Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.

Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de
primeira qualidade para realizar esses objetivos.

Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o
desenvolvimento de nosso povo.

A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o
trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo
acesso a educação e saúde de qualidade.

É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar
passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.

Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país,
mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei
de forma dedicada e carinhosa.

Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as
pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam
toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.

Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças
de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a
capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país
será o critério fundamental.

Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública,
independente de filiação partidária.

Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade
que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles.
De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.

A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e
brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de
orientação política.

Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política.
Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política
que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem
democracia.

Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na
administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o
malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os
níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização
trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou
proteger amigos.

Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los.
Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata
pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto.
Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares
que passei.

Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e
no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também
fizeram valer a festa da democracia.

Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta
jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que
dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.

Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um
de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.

Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me
deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo
direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos
outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao
direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por
isso, não carregarei nenhum ressentimento.

Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das
ditaduras.
 As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são

essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o
necessário contraditório.

Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu
apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua
imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver
durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante
justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria
que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.

Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.

Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.

Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de
tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e
desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.

Saberei consolidar e avançar sua obra.

Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e
nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.

Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.

Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de
projetos agora é hora de união.

União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país.
Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores.
Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária,
para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.

Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do
tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada,
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